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Sexo, Pulsão e Libido.

  • terapopular
  • 29 de jan.
  • 2 min de leitura

A pulsão (Trieb) é um conceito que designa uma força limite entre o somático e o psíquico. Diferente do instinto biológico, a pulsão não possui um objeto natural nem um fim previamente determinado; ela é definida por quatro elementos: fonte corporal, pressão, finalidade e objeto. Sua finalidade é sempre a satisfação, mas o caminho para alcançá-la é variável e simbólico. Assim, a pulsão não visa diretamente a reprodução ou a relação com o outro, mas a redução de uma tensão interna. É justamente essa indeterminação que permite à pulsão se desviar, se fixar, se sublimar ou se repetir compulsivamente, fazendo do sujeito um efeito de suas próprias formas de satisfação.



A libido, por sua vez, é o nome dado à energia das pulsões sexuais. Ela não se restringe ao genital nem à sexualidade adulta, mas atravessa todo o desenvolvimento psíquico, investindo objetos, zonas do corpo e representações desde a infância. A libido pode estar dirigida ao próprio eu (narcisismo) ou a objetos externos (relações objetais), e sua circulação é regulada pelas instâncias psíquicas e pelas interdições simbólicas. Ao se ligar a representações, a libido torna possível a construção do desejo, mas também do conflito, pois nem toda satisfação pulsional é compatível com a realidade ou com as exigências do supereu. Assim, a libido é ao mesmo tempo motor da vida psíquica e fonte permanente de tensão.



A relação sexual, não é uma simples complementaridade biológica entre corpos, mas um encontro mediado pelo desejo, pela fantasia e pela linguagem. A pulsão não se orienta naturalmente para o outro, e a libido não garante a harmonia do encontro amoroso; ao contrário, cada sujeito se relaciona com o outro a partir de suas próprias marcas pulsionais e fantasias inconscientes. É nesse sentido que se pode afirmar que pulsão, libido e relação sexual se intercomunicam de forma paradoxal: a pulsão busca satisfação, a libido dá forma e intensidade a essa busca, e a relação sexual tenta simbolizar um encontro que nunca é plenamente complementar. O desejo surge justamente nesse descompasso, fazendo da sexualidade humana um campo estruturado mais pela falta do que pela completude.


 
 
 

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