Minha trajetória
Sou do interior do estado de São Paulo. Comecei minha trajetória como professor de inglês — foi um "job" (trocadilho) que apareceu quase que naturalmente, uma vez que sempre tive facilidade em aprender o idioma e ainda mais em ensiná-lo aos meus colegas — Esse foi o trabalho que garantiu meu sustento por muitos anos. Para além da subsistência, sempre amei a energia da inevitável contingência da sala de aula e a conexão que desenvolvi com meus alunos sempre foi motivo de grande alegria. Apesar da inclinação para as ciências humanas, eu também tinha facilidade com números e, movido por um ideal de performance e escolhas que refletissem minha subjetividade, optei por cursar Engenharia Química.
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Por dificuldades financeiras e percalços do cotidiano não pude mais financiar meus estudos e fui obrigado a interrompê-los no início do 4º ano. Quem já passou por isso sabe que não poder estudar por falta de recursos é uma grande frustração, uma agressão ao imaginário de alguém que busca o saber com tanto entusiasmo.
Contudo, o distanciamento histórico me permite elevar o tom deste relato pois, após três anos estudando de forma autodidáta para tentar uma bolsa de estudos, passei em primeiro lugar no vestibular para Bacharelado em Química, com bolsa integral do PROUNI. Ver o mundo através da química foi o combustível de que eu precisava para acender a chama da minha paixão pela ciência. Entre as diversas possibilidades, aprofundei-me nos estudos de bioquímica (Química que se interessa pelas reações químicos nos seres vivos).
Ingressei na indústria química e, logo em seguida, na farmacêutica.Durante dez anos experimentei as fases típicas de quem atua no "business", trabalhando como pesquisador na área de medicamentos em grandes indústrias do Brasil.
Trabalhei, fui promovido, fui demitido, fui readmitido, promovido, me mudei, mudei de empresas, produzi, consumi, produzi mais um pouco. Com o tempo meus estudos e minha contemplação para a realidade se viram capturados por uma lógica narcísica de produção. Virei o "Workaholic e burnoutado típico" e entrei para o espectro do transtorno neoliberal. O simbólico ao qual eu era orientado já não dava cabo de me servir de base para prosseguir naquela lógica.
Nesse período, já estudava psicofarmacologia e bioquímica neurológica por conta própria praticamente todos os dias, numa tentiva de compreender os processos neuronais bioquímicos e uma possível explicação para o sofrimento mental (muito fundamentada na lógica da teoria de homeostase das monoaminas). Eu estava interessado na perspectiva materialista/naturalista e mecanicista da psiquê humana. Buscava respostas mais exatas — embora já tivesse passado pelo "banho de humildade" da Física Moderna, compreendendo que mesmo a ciência clássica concebe teorias contraditórias, mas aplicáveis aos seus objetivos — eu me vi capturado pela necessidade de respostas fechadas, superlativos definitivos.
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No final de 2021, após leituras em Filosofia (Foucault e o biopoder, Byung-Chul Han, Nietzsche), Crítica Cultural (Walter Benjamin, Adorno, Butler), Antropologia (Lévi-Strauss) e autores brasileiros (Christian Dunker, Vladimir Safatle, Renato Mezan, Vera Iaconelli e Ana Suy), vi-me atraído pela psicanálise aos poucos, com certa relutância, pois tratava-se de uma perspectiva muito mais honesta com o Real, no entanto, com poucas garantias de sistemas fechados em si. Iniciei meus estudos autodidatas e aceitei o desafio de entender os processos mentais para além da bioquímica.
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Após alguns anos de estudos e leituras em Freud, Lacan, Winnicott, Melanie Klein, Nasio, Fabio Hermann e outros psicanalistas contemporâneos, decidi colocar em prática e, ciente da importância, o "tripé psicanalítico". Decidi formalizar meus estudos com uma pós-graduação em Psicanálise. Iniciei minha análise pessoal e, após me habituar aos fenômenos inconscientes fazendo a travessia do fantasma para me deparar com a minha própria queda do sujeito, me vi preparado para ingressar na clínica e supervisão. Me especializei na clínica Lacaniana e comecei a escrever e a postar estudos sobre os seminários de Lacan e seus conceitos chave.
Atualmente, sou pesquisador e aluno de pós-graduação em Neuropsicologia Clínica. Minha pesquisa dedica-se ao estudo e prevenção do suicídio na sociedade contemporânea.
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