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O sujeito Lacaniano - O desejo e a falta.

  • terapopular
  • 19 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 25 de mar.


O sujeito, em Lacan, se forma e se constitui em um processo socializante. E essa constituição não acontece a partir de uma essência interna, mas a partir de uma falta estrutural e do encontro com o desejo do Outro.

Desde o início, o ser humano é atravessado por uma experiência de desamparo em seu núcleo familiar. A função materna e paterna (note que não é necessariamente uma pessoa específica, mas sim uma função simbolizadora). Algo tira o bebê humano de sua função materna. Algo falta — e essa falta não é um acidente, mas condição de possibilidade do próprio desejo — É justamente porque algo não se completa que o desejo emerge. O sujeito, então, não é dono de seu desejo: ele é efeito dele.


No processo de constituição, o sujeito se aliena (para Freud toda socialização é alienação)

ao campo do Outro, que é o lugar da linguagem, dos significantes, das expectativas e dos discursos que o antecedem.

"A principal lição que a história da civilização nos ensina é que o homem tem de se acostumar a renúncias instintivas para que a sociedade funcione." — Sigmund Freud (O Mal-Estar na Civilização [1930])

É no desejo do Outro que ele busca reconhecimento, tentando responder, ainda que de forma sempre falha, à pergunta: “O que o Outro quer de mim?”

Essa alienação inaugura uma divisão fundamental. O sujeito nunca coincide consigo mesmo. Há sempre um resto, um desencontro, uma distância entre aquilo que ele pensa ser (o moi, ligado à imagem, ao eu ideal, ao eu imaginário) e aquilo que fala através dele (o je, o sujeito do inconsciente, o ideal do eu, efeito da linguagem). É desse descompasso entre imagem, fala e desejo que emerge um resto irredutível, que Lacan situa no registro do Real.


O desejo, nesse sentido, não é a busca por um objeto específico, mas o movimento contínuo em torno dessa falta que nunca se preenche. É um desejo que desliza, que se desloca, que se sustenta justamente por não se satisfazer completamente.

Assim, o sujeito lacaniano é, em sua essência, um sujeito faltante, dividido e desejante. Não há completude possível — e é exatamente isso que o mantém em movimento.


Lacan define o desejo como negativo justamente porque ele não se orienta por uma presença, mas por uma ausência. Deseja-se aquilo que falta, não aquilo que se possui. O objeto do desejo (objeto a) nunca é plenamente alcançado porque, no fundo, ele é apenas um representante dessa falta estrutural. Por isso, o desejo não se realiza — ele se reinscreve, se desloca e insiste. Sua negatividade não é um defeito, mas a própria condição de sua permanência. Falar do sujeito é, portanto, falar de uma falta que insiste e de um desejo que nunca se esgota.

 
 
 

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