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O Desejo

  • terapopular
  • 29 de jan.
  • 1 min de leitura

Em Freud, o desejo (Wunsch) está ligado à experiência inaugural de satisfação e à lógica do inconsciente. O desejo nasce como tentativa de repetição alucinatória de uma satisfação primária perdida, inscrita como traço mnêmico. Em A Interpretação dos Sonhos (1900), Freud afirma que “o sonho é a realização (disfarçada) de um desejo reprimido”, indicando que o desejo opera fora da lógica consciente, deslocando-se e condensando-se em formações substitutivas. O desejo freudiano não é sinônimo de vontade racional, mas uma força inconsciente que persiste mesmo quando recalcada, encontrando vias indiretas de expressão nos sintomas, atos falhos e sonhos. Ele está, portanto, articulado à pulsão, mas mediado pela censura e pelas exigências da realidade, o que faz do desejo um operador central do conflito psíquico.



Em Lacan, o desejo é radicalmente deslocado da ideia de necessidade ou demanda e passa a ser definido como um efeito estrutural da linguagem e da falta. No Seminário XI, Lacan formula que “o desejo do homem é o desejo do Outro”, indicando que o desejo não se origina no objeto, mas na relação do sujeito com o campo simbólico. O desejo surge no intervalo entre a necessidade (biológica) e a demanda (articulada em palavras), permanecendo irredutível a ambas. Além disso, Lacan afirma que “o desejo é a metonímia da falta-a-ser”, o que significa que ele nunca se satisfaz plenamente, deslocando-se de objeto em objeto sem se fixar definitivamente. Assim, enquanto Freud concebe o desejo como ligado à repetição de uma satisfação perdida, Lacan o redefine como estruturado pela falta e sustentado pela impossibilidade de completude no laço com o Outro.


 
 
 

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